Brasil acumula déficit de US$ 2,5 bi no exterior

Julho 27, 2016 Sem comentários »

As contas externas brasileiras voltaram ao patamar negativo, invertendo o sinal apresentado após dois meses seguidos no azul, quando o País registrou superavit no balanço de pagamentos. Em junho, segundo informou, ontem, o Banco Central (BC), o Brasil apresentou um déficit de US$ 2,479 bilhões nas transações correntes. Este foi o melhor resultado para o mês desde 2009, quando o saldo apontou valor negativo de US$ 605 milhões. No ano, é o pior resultado desde janeiro, quando o saldo ficou negativo em US$ 4,8 bilhões. A depreciação cambial do real foi um dos motivos para a melhora no saldo recente.

Em 2016, há déficit de US$ 8,444 bilhões, enquanto que, em 12 meses, o resultado negativo é de US$ 29,4 bilhões, o que representa 1,67% do PIB. O BC projeta um déficit em transações correntes de US$ 15 bilhões até o final do ano – bem menor que os US$ 58,9 bilhões registrados no ano passado – equivalendo a 0,87% do PIB, proporcionalmente. Em 2015, entre os meses de janeiro e junho, o buraco no balanço de pagamentos do País, no acumulado, estava em US$ 37,888 bilhões. Assim, o déficit de 2016, em comparação ao do ano anterior, é 78% menor.

Investimentos diretos
Os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 3,917 bilhões em junho – acima da previsão de entrada de US$ 3,6 bilhões, sendo mais que suficiente para cobrir, integralmente, o déficit em conta corrente do mês, embora o mais baixo patamar desde junho de 2010. Nos seis primeiros meses de 2016, o IDP totaliza US$ 33,816 bilhões, contra US$ 30,932 bi um ano antes, e, em 12 meses, eles totalizam US$ 78 bilhões, o que equivale a 4,42% do PIB. O investimento direto é a principal fonte de dólares para o Brasil e tem ajudado a manter o saldo entre entrada e saída de recursos este ano.
Para 2016, o BC estima ingresso de US$ 70 bilhões, ou 4,05% do PIB. Além do valor destinado à participação no capital de empresas no Brasil, também são classificados como investimentos diretos os empréstimos concedidos por matrizes de empresas multinacionais as suas filiais no País e vice-­versa. O retorno de investimento brasileiro no exterior também passou a integrar essas estatísticas. É como se o dinheiro tivesse saído e entrado novamente. A cada reinvestimento de IDP, o estoque de passivo externo cresce.

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