Acesso à banda larga ainda cresce em meio à crise e Iguatu é a segunda cidade com mais acessos

Novembro 23, 2015 Sem comentários »

Diferentemente de outros serviços de telecomunicação, que enfrentam dificuldades com novas tecnologias, o acesso à banda larga permanece em expansão. Não é por menos, afinal, foi através do serviço que se estabeleceu um novo perfil de consumo, com a utilização de aplicativos ou outras ferramentas que podem substituir ligações fixas, móveis e até televisão por assinatura.

Nem mesmo a crise econômica foi suficiente para reverter a trajetória de crescimento do setor. Conforme levantamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em setembro, o número de acessos de banda larga fixa no Ceará cresceu 15,3% em relação a igual período do ano passado, mais que o dobro da média de crescimento do País (7,28%) nesse intervalo. Naquele mês, haviam 602.551 linhas de acesso no Estado.

Apesar do crescimento, o acesso à banda larga no Ceará ainda é restrito quando comparado a outros estados. O serviço está presente em apenas 22,3% dos domicílios cearenses, quando, no Brasil, a média de inserção é de 38,3%. No Distrito Federal, que registrou o maior percentual de presença, cerca de 67,7% das residências têm acesso ao serviço. Por outro lado, no Maranhão, a média é de 10,33%.

Fortaleza é responsável por 64,5% das assinaturas no Estado, seguida por Iguatu (8,3%), Maracanaú (3,4%) e Juazeiro do Norte (2,5%). Neste mês, a implementação do Cinturão Digital do Ceará (CDC) pela Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice) completou quatro anos. Segundo dados do Governo, 90% das áreas urbanas do Ceará já estão conectadas.

Novas ferramentas

A analista industrial Carina Gonçalves, da consultoria Frost & Sullivan, aponta que o crescimento do uso de aplicativos como o streaming de vídeo, VoIP, IPTV, e over-the-top (OTT), bem como uma maior utilização das redes sociais, deverão estimular o contínuo crescimento de banda larga fixa. “Isso ocorre porque mais pessoas devem contratar planos de Internet com velocidades mais altas”, observa.

Ela acrescenta que, no Nordeste, a expansão da banda larga deve continuar em ritmo superior ao do País, uma vez que a penetração do serviço é menor na região. Apesar de ser a terceira em números de acesso – cerca de 3 milhões -, só 17,55% dos domicílios no Nordeste têm banda larga. A região só fica a frente do Norte (17,07%).

Além disso, Carina destaca que o preço da banda larga fixa tende a diminuir nos próximos anos com a expansão das tecnologias de banda larga de alta capacidade – tais como FTTH, HFC, e VDSL – e com o aumento da concorrência por novas empresas. “A estratégia de combo de banda larga fixa, telefonia fixa, móvel, Wi-Fi, e pay-TV tende a continuar, também fortalecendo e impactando o crescimento da banda larga”, aponta.

Já Eduardo Tude, presidente da consultoria especializada Teleco, o aperto financeiro sofrido pelas famílias brasileiras neste momento refletiu na redução do ritmo de crescimento da banda larga em 2015, em comparação a anos anteriores.

“Apesar de ter reduzido um pouco o ritmo de crescimento que vinha sendo apresentado, o setor continua crescendo”, ponderou. Ele aponta que um dos principais desafios do setor é a necessidade de investimentos para implantar a estrutura necessária para a transmissão de dados, em alta velocidade, em áreas mais remotas.

Segundo Sérgio Kern, diretor do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), as empresas brasileiras já investiram R$ 30 bilhões no setor neste ano.

Carina também aponta que o mercado da banda larga fixa se preocupa com a expansão da banda larga móvel 3G e 4G, com preços ainda inacessíveis a grande parte da população e falta de competição em áreas remotas. “Mas, os impulsionadores do mercado tendem a se sobressair. A expectativa é que o mercado continue a crescer”, diz. (YP)

Diário do Nordeste

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