Studart: indústria não deve crescer em 2015

Março 18, 2015 Sem comentários »

Diante de um cenário econômico às margens da estagnação em 2015 e do ajuste fiscal levado à frente pelo governo federal, a indústria cearense não possui qualquer perspectiva de fechar o ano de 2015 com crescimento, algo que só poderá ser novamente previsto a partir do fim de 2016. A previsão foi feita pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Beto Studart.

O representante da entidade compôs a mesa de abertura do Fórum Internacional da Indústria, realizado pela Federação, em conjunto com a Universidade Federal do Ceará (UFC) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae-CE). O evento teve como tema “Desafios da Indústria Brasileira para um Futuro Competitivo e Sustentável” e reuniu diversos especialistas na Casa da Indústria.

“Não vejo nenhuma possibilidade de crescimento (para a indústria), porque o problema que nós estamos vivendo é um problema matemático e está todo mundo sabendo o que está acontecendo”, afirma ele. “Eu acho que lá para o final de 2016, se o aspecto político estiver vencido, pode ser que nós vislumbremos alguma coisa no futuro”, acrescenta o presidente da Fiec.

Desempenho negativo

No ano passado, o setor não registrou resultados positivos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria cearense fechou 2014 com queda acumulada de 2,9% em produtividade. Com relação à média nacional, também houve decréscimo (-3,2%) durante o período.

Beto Studart destacou que o setor industrial brasileiro e os consumidores estão sofrendo as consequências de um “desarranjo político e um pouco de irresponsabilidade fiscal. Tudo aquilo que foi tratado em 2013, 2014 não tinha seus fundamentos macroeconômicos bem consolidados”, ressaltou.

Em seu discurso de abertura do Fórum Internacional da Indústria, o líder da Fiec ressaltou que a energia elétrica poderá estar 64,46% mais cara neste ano para as grandes indústrias e 35,26% mais onerosa para as pequenas. Os aumentos acumulados somam a revisão tarifária da Companhia Energética do Ceará (Coelce) – cuja decisão final sairá no próximo dia 22 de abril – com o reajuste no Sistema de Bandeiras Tarifárias e a Revisão Tarifária Extraordinária (RTE), que já estão em vigor no País.

Freio à competitividade

Beto Studart também ressaltou que a baixa qualificação da força de trabalho local freia o aumento da competitividade para a indústria no Ceará. “Em pesquisa realizada pela nossa própria federação, 65% das indústrias cearenses assumem possuir problemas com mão de obra qualificada, e os empresários indicam que a má qualidade da educação básica é o principal entrave para qualificar os seus funcionários”, afirmou Studart.

O presidente da Federação também destacou que mais de 80% dos setores industriais estão alocados nos grupos de média-baixa e baixa intensidade tecnológica, o que eleva a necessidade de desenvolvimento na área. “Enquanto 11% das riquezas do setor industrial cearense advém de setores de alta intensidade tecnológica, no País esse número supera 31%”, compara.

Sustentabilidade

Um dos participantes da palestra Desafios da Indústria Mundial, o professor doutor da Universidade de Cambridge, Steve Evans, alertou que a indústria mundial tem a necessidade de conjugar seu crescimento com a sustentabilidade ambiental. “Até 2050, a indústria será quatro vezes maior do que é hoje. É preciso pensar de onde virão as matérias-primas e a água para o setor e para onde será direcionada a água suja”, defendeu.

O diretor do Centro para a Sustentabilidade Industrial no Instituto para Manufatura (IFM), da renomada universidade britânica, ressaltou a necessidade de as indústrias no mundo reduzirem pela metade a necessidade de recursos como água e energia até 2050. Para isso, é fundamental o estabelecimento de parâmetros comparativos para o setor.

“Quando você trabalha no seu prédio, há um alto ou um baixo consumo de energia? Nós não sabemos. Mas se você sabe que o seu prédio está consumindo quatro vezes mais energia que o prédio ao lado, você começa a pensar: nós temos de fazer algo. Nós precisamos de informações comparativas para sabermos como podemos ser melhores”, destacou.

Diário do Nordeste

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